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Privacidade: até que ponto se deve abrir mão dela?

O governo chinês vai instalar 20 mil câmeras de segurança na cidade Shenzhen, interligadas a um sistema de reconhecimento facial, por sua vez interligado a um banco de dados de pessoas com ficha criminal. Além disso, boa parte dos moradores deverá usar um cartão residencial com um chip que armazena várias informações dos habitantes (veja no G1). Em Londres, estima-se que um habitante possa ser filmado 300 vezes ao dia; lá há uma impressionante relação de 15 câmeras por habitante (veja na Gazeta do Povo). Assutador, não? A pergunta que fica: até que ponto você está disposto a abrir mão da sua privacidade em nome da segurança? Ou, sendo mais purista: é lícito abrir mão da privacidade em nome da segurança?

Vamos guardar essa pergunta por enquanto. Vamos mudar de assunto (ou, provavelmente, não). Em outro post, escrevi um pouco sobre a Web 2.0. Nunca a população quis (e pôde) tanto se expor. Procure no Youtube ‘Chinese boys’ e descubra o sucesso que dois adolescentes conseguiram fazendo dublagens de músicas famosas.  Chegaram a ser chamados para fazer um comercial para a Motorola. Japoneses entopem o site Twitter com SMSs dizendo o que estão fazendo naquele minuto (ou segundo, sei lá!). Os 15 minutos de fama estão cada vez mais à mão. O problema é que nesse afã, as conseqüências não são pesadas. Quem não sente um arrepio na espinha quando ouve que as empresas estão checando o profile no Orkut dos candidatos a emprego? Lembram da Katilce, a que foi beijada pelo Bono Vox no show do U2 no Brasil e teve o profile invadido por milhões de comentários?

Agora a Prefeitura de São Paulo quer implantar chips nos carros. O que é quase nada em relação às pessoas que estão sendo flagradas seminuas no Google Street View (tem um site só desses flagrantes. Veja aqui). É o pesadelo de George Orwell. Vivemos em 1984. E como no livro, muitos defendem as razões do Grande Irmão. ‘É pela segurança. Paciência’. Discordo. Ficamos cegos nos períodos de crise e tomamos decisões que impactarão nossas vidas quando a crise passar. Veja o Ato Patriótico. Faz sentido o governo poder saber que livros você pega na biblioteca? Na época do 11 de Setembro, muitos acharam que sim. Um funcionário do governo londrino deveria poder saber quando você limpa seu nariz? O custo é muito alto. A chance de nos arrependermos é grande. Entre a segurança e a privacidade, fico com as duas. Não se promove um direito fundamental pisando sobre outro.

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14, agosto, 2007 at 11:32 am Deixe um comentário


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