Filosofando sobre a frustração

15, outubro, 2008 at 6:51 pm 2 comentários

Abraham Maslow propôs no começo do século XX a sua hierarquia de necessidades, mais conhecida como pirâmide de Maslow. A idéia é simples e conhecida: os seres humanos têm necessidades básicas e, à medida que essas necessidades vão sendo satisfeitas, ele busca necessidades de um nível mais elevado.

Uma teoria um pouco menos conhecida, mas que também não desafia o bom senso, é o Princípio de Peter. O Princípio de Peter, de forma simples, diz que, em uma organização, as pessoas são promovidas até atingirem seu nível de incompetência. Enquanto alguém é competente ele é promovido e, assim que deixa de ser, ele pára por ali. Nos cafés dos ambientes corporativos já se sabia que “todo chefe é incompetente”, mas Lawrence J. Peter teve o mérito de conseguir escrever o óbvio em modo formal.

Indo agora rapidamente para a filosofia clássica, Aristóteles lançou a idéia de que, a vida, para valer a pena, deve ser eudaimônica. Eudaimonia, traduzida de forma simplificada como felicidade, é a sensação de que algo vale a pena por si só.

Colocando essas idéias em um mesmo saco e, chacoalhando-se bastante, algumas associações surgem, ainda que desprovidas de qualquer rigor científico e compromisso com a verdade.

A primeira delas é que todo mundo, seguindo suas aspirações, alcançará mais cedo ou mais tarde a frustração. Uma pessoa buscará suas necessidades básicas, eventualmente prosperará e partirá para objetivos mais ambiciosos. Em algum momento ela será incapaz de atingir seus objetivos e deparará com a frustração.

Evoluindo um pouco mais, entendemos que, se as pessoas estão sempre buscando novos objetivos, não estão praticando uma vida eudaimônica o que também deve, pelo pensamento de Aristóteles, levar à frustração.

Ou seja, estamos fadados a fugir das nossas frustrações buscando algo que, em algum momento nos levará inexoravelmente a uma frustrante estagnação.

Proponho, se me permitem, um conceito para salvar a humanidade desse destino funesto. Vamos chamá-lo de necessidade eudaimônica. Segundo esse conceito, deve existir em algum ponto da hierarquia de necessidades de cada um uma camada que vale a pena por si só. A satisfação dessa necessidade é suficiente para que um ser humano se sinta realizado e não precise buscar algum nível mais elevado de satisfação. A graça da vida estaria em se alcançar essa camada e, mais importante, identificá-la como o seu objetivo de vida. Conseguindo-se isso, a pessoa atingiria a sua satisfação plena e seria indiferente a possibilidades aparentemente tentadoras mas que, como já vimos, a levaria à frustração.

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A briga pelos notebooks ultrafinos

2 Comentários Add your own

  • 1. Mariana  |  29, outubro, 2008 às 3:53 pm

    O mais incrível é que eu sei qual é esta necessidade, e sei como satisfazê-la. Tanto é que decidi dedicar a minha vida a contar isso para as outras pessoas.
    🙂

    Responder
  • 2. Flávio  |  12, janeiro, 2009 às 3:40 pm

    tudo bem, temos que reconhecer: somos fadados à frustração, nessa história (a das nossas vidas) o mocinho (nós) morre no final e que cinquenta anos depois disso nós não somos mais do que um nome numa lápide.

    Então isso tudo parece que é reviver o passado, pois sobre esse assunto Epicuro já deu a receita há muito tempo lá na Grécia:
    “Tu, que não és senhor do teu amanhã, não adies o momento de gozar o prazer possível! Consumimos nossa vida a esperar e morremos empenhados nessa espera do prazer.”

    E provavelmente outros insignificantes falaram isso antes dele, mas destes até as lápides já não restam.

    De qualquer jeito, juntar Maslow e Lawrence Peter pode ser uma forma criativa de convencer mais gente da urgência de parar de correr, pois mais contraditório que pareça.

    Responder

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