Posts filed under ‘Opiniões’

E lá vem a Web 3.0 (a.k.a. Web Semântica)

Confesso que torço o nariz para expressões que parecem ter sido criadas para se ganhar dinheiro. Web 2.0 é uma delas. Nada contra o conceito; é a roupagem marketeira que me incomoda. Mas às vezes temos que dar um voto de confiança, principalmente quando uma dessas expressões sai da boca de alguém como Tim Berners-Lee. Pesquisador do CERN (lembra do livro Anjos e Demônios do Dan Brown?), agraciado com o título de ‘Sir’ pela rainha da Inglaterra, diretor do W3C, é considerado o criador da internet. De fato foi ele quem primeiro sugeriu uma estrutura de hipertextos para organizar os documentos do CERN e para trocar informações com outros institutos.

Pois foi ele quem criou o termo ‘Web Semântica‘, que já virou a tal da Web 3.0. Mais do que o conceito, pôs seu pessoal para trabalhar nessa tecnologia que deve dar seus frutos nos próximos anos. Segundo ele, A Web Semântica é a web dos dados. Trata da integração entre informações da rede com o computador pessoal dos usuários, permitindo que análises sejam feitas levando em conta as informações que você tem e que a rede disponibiliza. Parece promissor. Prepare-se para receber convites para palestras sobre o tema.

Veja a entrevista com ele no IDGNow.

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10, julho, 2007 at 10:35 am 2 comentários

A saga para vender um carro usado

Vender um carro usado está mais difícil. Teoricamente mais seguro, mas certamente mais confuso. A PORTARIA DETRAN Nº 2000, DE 07 DE NOVEMBRO DE 2006 e a Resolução CONTRAN n° 199, de 25 de agosto de 2006 determinam que agora, além do decalque do chassis, é necessário decalque do número do motor do veículo. O conceito é perfeito. O Detran tem um cadastro da numeração do motor e daí basta verificar se a numeração bate para inibir o comércio de motores adquiridos de forma ilícita.

Mas daí chegam as complicações…

1. Na maioria dos carros, não é possível tirar um decalque do motor. A legislação pensou nisso e permite que, ao invés de decalque, seja fornecida foto da numeração.

2. Nem todos os motores têm a numeração acessível ou padronizada. Talvez dois carros do mesmo ano e modelo tenham a numeração do motor gravada em locais diferentes. Hummm… Pode dar trabalho achar a gravação sozinho (no meu caso foi preciso levantar o carro e usar uma lanterna).

3. E para alguns carros, você precisa tirar o filtro de ar para acessar a tal numeração.

4. Pior ainda: tem gente que não acha a numeração do seu motor. No Google existem milhares de mensagens de pessoas desesperadas.

5. Carros mais antigos simplesmente não têm numeração. Nesse caso, você pode fazer uma declaração de próprio punho (veja) se responsabilizando pela origem do motor e o Detran vai determinar que seja feita uma gravação nova.

6. Em alguns casos a numeração do motor não bate com o cadastro do Detran, ainda que você tenha certeza que o motor é original. Nesse caso, é preciso entrar em contato com a montadora (através do 0800) e solicitar uma carta-laudo que contém a numeração original do motor do carro.

7. Em outros casos (esse foi o meu) a numeração está perfeita, mas o padrão de gravação não bate. A concessionária para a qual eu estou vendendo o carro indicou uma empresa para fazer a perícia que chegou à conclusão que a gravação não era original. A gravação do meu carro deveria ser em pontos (primeira foto abaixo) e a do meu carro é reta (segunda foto). Foi uma briga para conseguir que alterassem o laudo para “aprovado”.

Hoje, antes de vender o carro, é importante verificar se a numeração do motor está OK, sob risco de não conseguir entregar o carro. Antes era só ir ao cartório assinar o documento. Agora, a venda pode dar uma dor de cabeça e, na maioria dos casos, não por culpa do proprietário. E prepare-se para gastar de R$30 a R$100 para conseguir a foto, provavelmente com um laudo que você não faz a menor questão de tirar.
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4, julho, 2007 at 7:08 pm 11 comentários

Quando o iPhone for desbloqueado

O BlogWindows postou um vídeo do Youtube com uma análise irônica do iPhone, mostrando algumas de suas limitações. O Blog gadget lab divulgou hoje que grupos de hackers estão próximos de desbloquear o iPhone. De fato, se você visitar o site iPhone dev wiki vai encontrar uma sopa de letrinhas que os ‘desenvolvedores’ estão trocando. Entre as palavras que qualquer um vai conseguir entender, está que o objetivo do site é ‘encontrar funcionalidades adicionais para o iPhone, (legitimamente) habilitando suas capacidades potenciais’. Entre as ‘capacidades potenciais’ está a ‘melhoria na compatibilidade’. Achei de um humor muito fino.

Por outro lado, semana passada só se falava das pessoas na fila para comprar o seu brinquedo novo. E hoje pela manhã se noticiava que meio milhão de iPhones foram vendidos na estréia.

Tentei encaixar tudo isso… O que leva alguém a ficar na fila para comprar um aparelho que vai estar a venda na internet? O que leva tanta gente a gastar de 500 a 600 dólares nele? Para mim, boa parte da motivação vem da admiração pela empresa da maçã mordida. Não resta dúvida que a Apple tem desenvolvido produtos que atingiram em cheio o gosto da população. Mas esse desespero em se conseguir desbloquear o iPhone me soa preocupante. Por que querer tanto burlar um produto tão admirado? Porque os consumidores se sentiram afrontados pelas limitações que a própria Apple criou para o iPhone. Todos querem exibir o seu, mas sentem-se reféns e pode começar a pairar sobre a empresa uma sombra negativa. A Apple se porta como o menino rico, dono da bola, que exige que o primo AT&T seja o centro-avante. Começa a parecer mais arrogante do que marcas como o Google.

Talvez nada demais aconteça quando o iPhone for desbloqueado. Provavelmente só alguns geeks vão ter um assim. Mas a Apple arrisca arranhar sua imagem colocando um ponto de interrogação na cabeça do seu público.

2, julho, 2007 at 9:22 pm 3 comentários

Long Tail, a Web 2.0, links patrocinados e como você vai ficar rico (ou pelo menos conhecido)

Provavelmente você não vai ficar rico por ler esse texto, mas talvez desde a bolha da internet há alguns anos, quando uma idéia ‘brilhante’ poderia render alguns milhões de dólares de investidores externos, nunca foi tão fácil expor-se (e talvez ganhar algum dinheiro) na internet.

Vivemos a Web 2.0, uma das expressões da moda, ou melhor, uma buzzword. Quer dizer, simplesmente, que agora as pessoas geram conteúdo na internet. Antigamente, os portais geravam conteúdo e todos liam. Hoje todo mundo (potencialmente) gera conteúdo. Será? Bem, considera-se conteúdo a sua página do Orkut, os seus vídeos do Youtube, o seu blog (você ainda não tem???) e coisas assim. Uma conclusão possível é que a internet nunca esteve tão atolada de lixo virtual. Outra forma, é enxergar através do prisma da Long Tail, outra buzzword. Para quem não sabe, a Long Tail é um princípio que reza que, para determinadas situações, itens de baixa popularidade, juntos, constituem a maior parte da audiência. Veja o gráfico abaixo. Exemplos existem aos montes.

O mais famoso é o da Amazon.com. A maior parte da receita do site vem de itens que estão longe de serem os mais vendidos. Isso é possível porque, com o grande alcance que a internet atingiu, o ‘lixo virtual’ de que tratamos há pouco, para determinados grupos, ou clusters, ganha relevância. E o baixo custo da tecnologia, da publicidade, da armazenagem, etc., permite que sua criação ganhe espaço. Uma locadora de filmes não pode se dar ao luxo de desperdiçar espaço nas suas prateleiras com algum filme velho que não fez muito sucesso; mas para uma locadora virtual, esse custo é desprezível.

Digamos que você tem uma certa quantidade de capas plásticas para discos de vinil. A chance de você vendê-las no comércio tradicional é muito baixa. Mas, se você anunciá-las no Mercado Livre, talvez tenha sucesso, por um custo muito baixo. Na verdade, alguém já vendeu 31 pacotes dessas capas. Outro exemplo: suponha que você esteja escrevendo um livro. Se você não é um autor conhecido, vai ter dificuldades de conseguir que alguma editora o publique ou terá que gastar um bom dinheiro com uma gráfica e suar para conseguir vender alguns exemplares. Por outro lado você pode procurar uma editora ‘virtual’, que disponibiliza os livros para venda em formato digital ou impressos sob demanda. Não vai vender como um Paulo Coelho, mas vai gastar pouco e talvez consiga algum sucesso que permita que alguma editora o publique depois.

A democratização da geração de conteúdo na internet tem outro colaborador importante: a publicidade online. Com alguns poucos Reais você pode comprar, por exemplo, links patrocinados no Google, pagando somente se alguém clicar no seu anúncio. O nosso amigo das capas plásticas para disco de vinil poderia escolher as palavras “capa disco vinil” e ganhar visitas a seu anúncio de pessoas que procurarem essas palavras no Google.

Resumindo, hoje é possível que uma boa idéia tenha seu lugar ao sol. É muito barato colocar um site no ar, anunciar um produto, divulgar seus textos. Embora ainda seja difícil tornar-se uma celebridade nacional, todos podem buscar sua fatia na long tail.

30, junho, 2007 at 4:11 pm 1 comentário

O que esperar do Second Life

Finalmente aparecem as primeiras mensagens de decepção sobre o Second Life. Sempre fui cético a respeito dessa vida digital alternativa, mas confesso que cheguei a pensar que eu é que estava ficando ranzinza, frente ao barulho todo que tem sido feito. Ontem, o Gil Giardelli já reportava no seu blog o ‘sucesso’ do show do U2 no Second Life, acompanhado por meia dúzia de gatos pingados. Hoje, na Folha Online, algumas empresas já demonstram sua decepção com a presença virtual, culpando a falta de grana (virtual ou real), a baixa densidade demográfica e o propósito dos ‘residentes’ pela ausência de negócios por lá. Embora vejamos sempre números altos de usuários, poucos usuários usam frequentemente o Second Life e pouquíssimos carregam dinheiro nos seus bolsos virtuais.

Segundo a página de estatísticas econômicas do site, 1.100.000 acessaram o Second Life nos últimos 30 dias, mas só 300.000 gastaram alguma coisa por lá. Ainda assim, 84% das transações financeiras estão abaixo de 1 dólar. Fazendo uma conta de padeiro, 30.000 pessoas gastaram mais do que US$50 no mês de Maio. Por outro lado, os números têm crescido à uma velocidade altíssima. Veja os gráficos. E tudo isso considerando os usuários do mundo todo. Olhando só para o Brasil, a situação é bem pior. Segundo o blog Oito passos para o conhecimento, existem 200.000 usuários brasileiros no SL, mas apenas 2.000 avatares (incluindo ‘múltiplas personalidades’ da mesma pessoa) acessaram o Second Life em um mês.

Ah… A densidade demográfica de lá é de 62 habitantes/km2, ou seja, um vazio tedioso. Você pode ficar voando por minutos antes de encontrar algum avatar batendo a cabeça em alguma parede.

Creio que as empresas têm medo que o Second Life vire um sucesso e repitam o erro que cometeram ao demorarem a adotar a internet ou o celular. Na dúvida, investem e, aparentemente, pelo menos por enquanto, se frustram.

Pessoalmente, acho que o Second Life peca por tentar ser tudo ao mesmo tempo. Como jogo é sem graça, como comunidade é limitado, como gerador de negócios é pífio (exceto para os criadores). Resta aí um valor institucional que ainda acredito que possa ser explorado. Talvez ainda cresça e vire um badalado marketplace virtual, mas no momento parece ser barulho demais para os resultados mostrados. Posso estar errado… Espero que sim.

27, junho, 2007 at 2:48 pm 2 comentários

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