Archive for Outubro, 2008

Filosofando sobre a frustração

Abraham Maslow propôs no começo do século XX a sua hierarquia de necessidades, mais conhecida como pirâmide de Maslow. A idéia é simples e conhecida: os seres humanos têm necessidades básicas e, à medida que essas necessidades vão sendo satisfeitas, ele busca necessidades de um nível mais elevado.

Uma teoria um pouco menos conhecida, mas que também não desafia o bom senso, é o Princípio de Peter. O Princípio de Peter, de forma simples, diz que, em uma organização, as pessoas são promovidas até atingirem seu nível de incompetência. Enquanto alguém é competente ele é promovido e, assim que deixa de ser, ele pára por ali. Nos cafés dos ambientes corporativos já se sabia que “todo chefe é incompetente”, mas Lawrence J. Peter teve o mérito de conseguir escrever o óbvio em modo formal.

Indo agora rapidamente para a filosofia clássica, Aristóteles lançou a idéia de que, a vida, para valer a pena, deve ser eudaimônica. Eudaimonia, traduzida de forma simplificada como felicidade, é a sensação de que algo vale a pena por si só.

Colocando essas idéias em um mesmo saco e, chacoalhando-se bastante, algumas associações surgem, ainda que desprovidas de qualquer rigor científico e compromisso com a verdade.

A primeira delas é que todo mundo, seguindo suas aspirações, alcançará mais cedo ou mais tarde a frustração. Uma pessoa buscará suas necessidades básicas, eventualmente prosperará e partirá para objetivos mais ambiciosos. Em algum momento ela será incapaz de atingir seus objetivos e deparará com a frustração.

Evoluindo um pouco mais, entendemos que, se as pessoas estão sempre buscando novos objetivos, não estão praticando uma vida eudaimônica o que também deve, pelo pensamento de Aristóteles, levar à frustração.

Ou seja, estamos fadados a fugir das nossas frustrações buscando algo que, em algum momento nos levará inexoravelmente a uma frustrante estagnação.

Proponho, se me permitem, um conceito para salvar a humanidade desse destino funesto. Vamos chamá-lo de necessidade eudaimônica. Segundo esse conceito, deve existir em algum ponto da hierarquia de necessidades de cada um uma camada que vale a pena por si só. A satisfação dessa necessidade é suficiente para que um ser humano se sinta realizado e não precise buscar algum nível mais elevado de satisfação. A graça da vida estaria em se alcançar essa camada e, mais importante, identificá-la como o seu objetivo de vida. Conseguindo-se isso, a pessoa atingiria a sua satisfação plena e seria indiferente a possibilidades aparentemente tentadoras mas que, como já vimos, a levaria à frustração.

2 comments 15, Outubro, 2008


Cadê o texto que eu vi aquele dia?

Outubro 2008
S T Q Q S S D
« Fev    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

O mais lido por aqui

Categorias

Apple Blog Carros Contos Dia-a-dia Esportes Genética Google Governo iPhone iPod Long tail Marketing Meio ambiente Mobile Negócios Opiniões Privacidade Redes sociais Second Life Tecnologia Textos Web Web 2.0

Alguns links....

RSS Um pouco de tudo

Feeds

Blog Stats

Comentários

Alexandre Almeida em A saga para vender um carro…
claudia em A saga para vender um carro…
Celso em A saga para vender um carro…
furia abbot em Quando o iPhone for desbl…
conhecimentosp em O carro movido a ar comprimido…