O que esperar do Second Life

27, Junho, 2007

Finalmente aparecem as primeiras mensagens de decepção sobre o Second Life. Sempre fui cético a respeito dessa vida digital alternativa, mas confesso que cheguei a pensar que eu é que estava ficando ranzinza, frente ao barulho todo que tem sido feito. Ontem, o Gil Giardelli já reportava no seu blog o ’sucesso’ do show do U2 no Second Life, acompanhado por meia dúzia de gatos pingados. Hoje, na Folha Online, algumas empresas já demonstram sua decepção com a presença virtual, culpando a falta de grana (virtual ou real), a baixa densidade demográfica e o propósito dos ‘residentes’ pela ausência de negócios por lá. Embora vejamos sempre números altos de usuários, poucos usuários usam frequentemente o Second Life e pouquíssimos carregam dinheiro nos seus bolsos virtuais.

Segundo a página de estatísticas econômicas do site, 1.100.000 acessaram o Second Life nos últimos 30 dias, mas só 300.000 gastaram alguma coisa por lá. Ainda assim, 84% das transações financeiras estão abaixo de 1 dólar. Fazendo uma conta de padeiro, 30.000 pessoas gastaram mais do que US$50 no mês de Maio. Por outro lado, os números têm crescido à uma velocidade altíssima. Veja os gráficos. E tudo isso considerando os usuários do mundo todo. Olhando só para o Brasil, a situação é bem pior. Segundo o blog Oito passos para o conhecimento, existem 200.000 usuários brasileiros no SL, mas apenas 2.000 avatares (incluindo ‘múltiplas personalidades’ da mesma pessoa) acessaram o Second Life em um mês.

Ah… A densidade demográfica de lá é de 62 habitantes/km2, ou seja, um vazio tedioso. Você pode ficar voando por minutos antes de encontrar algum avatar batendo a cabeça em alguma parede.

Creio que as empresas têm medo que o Second Life vire um sucesso e repitam o erro que cometeram ao demorarem a adotar a internet ou o celular. Na dúvida, investem e, aparentemente, pelo menos por enquanto, se frustram.

Pessoalmente, acho que o Second Life peca por tentar ser tudo ao mesmo tempo. Como jogo é sem graça, como comunidade é limitado, como gerador de negócios é pífio (exceto para os criadores). Resta aí um valor institucional que ainda acredito que possa ser explorado. Talvez ainda cresça e vire um badalado marketplace virtual, mas no momento parece ser barulho demais para os resultados mostrados. Posso estar errado… Espero que sim.

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